Decisão do STF na quarta. E o peso maior das respostas à crise econômica

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POR JARBAS DE HOLANDA

A resistência do presidente Michel Temer aos impactos político e jurídico das delações dos donos da JBS dependerá, decisivamente, da postura a ser adotada depois de amanhã pelo plenário do STF sobre a sequência ou a interrupção do inquérito contra ele proposto pela PGR, com o respaldo inicial do ministro relator das investigações anticorrupção, Edson Fachin. A abertura, ou não, do inquérito tornou-se condicionante essencial da manutenção da base de apoio ao Executivo no Congresso (até agora preservada pela aliança PMDB-PSDB), bem como da possibilidade de viabilização de reformas econômicas por parte dos agentes econômicos. O desencadeamento desse inquérito deixará Temer praticamente sem alternativa a uma renúncia. E a interrupção ou suspensão lhe propiciará condições para compensar o intenso desgaste ético e político com a capitalização do reconhecimento (que a turbulência desses dias tem ampliado) da relevância das respostas à crise fiscal e das reformas para a retomada do crescimento, que a equipe econômica de seu governo vem encaminhando. Enquanto isso – tendo em vista os cenários de renúncia do presidente, ou de afastamento dele no julgamento pelo TSE da chapa Dilma/Temer – prosseguem entendimentos entre as principais lideranças políticas, voltadas para a eleição indireta de sucessor pelo Congresso.

Cabe, por fim, registrar dois fatos de implicações contraditórias: o fracasso das manifestações de rua de ontem, lideradas pelo lulopetismo, em favor de “eleição direta já”; e a persistência de reações negativas do mercado financeiro ao agravamento da crise política, traduzidas hoje pela manhã em forte queda da Bovespa, além de 2%, e em novo aumento da cotação do dólar, de mais de 1%.

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