Compliance e governança lideram a agenda estratégica de empresas de infraestrutura

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Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Apeop e da Comissão de Infraestrutura (Coinfra) da CBIC

Na busca por novas oportunidades de negócios, empresários modernizam processos internos, fortalecendo a governança e a integridade

Essa é uma das sínteses de pesquisa realizada pela Comissão de Infraestrutura (COP) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para conhecer as preocupações de empresários que atuam no campo da infraestrutura, com vistas a orientar o trabalho da entidade. Para isso, foi selecionada uma amostra com 180 empresários distribuídos em 10 Estados brasileiros – São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Bahia, Pará, Distrito Federal e Ceará – e atuantes nos segmentos de logística/transportes; energia e saneamento, que responderam a 12 perguntas mapeando os desafios atuais de suas empresas e a busca por novas oportunidades de negócios. Dos 50 empresários que responderam à primeira edição do CBIC Sondagem INFRA, 100% informaram tomar medidas para melhorar a governança de suas empresas e 85% declararam ser importante a adoção de políticas de compliance para melhor posicionar-se no mercado nacional nesse momento.

“Essa é uma surpresa positiva da pesquisa. As empresas perceberam que para disputar esse novo mercado, com essas características, têm de investir em governança, incluído o compliance, e estão investindo nisso”, diz Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Comissão de Infraestrutura (COP) da CBIC. Segundo ele, se há poucos anos políticas mais consistentes de gestão e integridade não fariam diferença no desempenho empresarial, hoje tornaram-se fator determinante na busca por financiamento e seguro para os projetos, o que tem induzido a uma nova mentalidade entre as empresas pequenas e médias. Gestão e tecnologia são apontadas, ainda, como ferramentas para garantir competitividade às empresas brasileiras diante da maior concorrência com companhias internacionais.

O CBIC Sondagem INFRA terá periodicidade trimestral e deve ter sua abrangência ampliada, agregando outros Estados brasileiros. Dentre as empresas que participaram da primeira rodada, 70% são médias, com faturamento anual entre R$ 90milhões e R$ 200 milhões. 20% são empresas pequenas, com faturamento anual de até R$ 90 milhões; e 10% são empresas grandes, com faturamento anual acima de R$ 200 milhões. “A pesquisa confirma o trabalho que temos feito, de estimular e dar o ferramental necessário a uma nova mentalidade na construção, para que as empresas possam enxergar outro horizonte e participar de um novo momento do país”, diz Carlos Eduardo.

90% dos empresários que responderam à pesquisa confirmaram buscar novas oportunidades de negócios, movimento significativo na avaliação do presidente da COP. “Até dois ou três anos atrás, essa média girava em torno de 45%, no máximo 50%, quando menos empresas estavam se arriscando a buscar novas oportunidades”, quantificou. A ampliação das oportunidades de negócios e a inserção de um número maior de empresas nos projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) são temas prioritários na agenda da CBIC e foco de intensa ação da Comissão de Infraestrutura. A entidade tem formulado propostas para abrir novos mercados, como a que culminou no programa federal de apoio às concessões municipais, anunciado pelo presidente Michel Temer dias atrás.

FALTA DE INVESTIMENTO COMO PRINCIPAL GARGALO

Para 40% dos empresários consultados pela COP, a queda do investimento público é o fator com maior impacto no desempenho negativo de suas empresas; outros 30% apontam o comportamento predatório em licitações públicas como gargalo determinante; e 25% destacam as condições de financiamento como entrave aos negócios – combinadas, essas três variáveis corroboram a linha de ação da CBIC, que tem conduzido diálogo institucional com o Poder Executivo federal e seus agentes financeiros em busca de regras mais aderentes à realidade das empresas na concessão do crédito e também maior concorrência e transparência nas licitações. O esvaziamento dos cofres públicos e, consequentemente, da capacidade de investimento dos governos impõe uma conjuntura nova, que exige dos agentes financeiros públicos um olhar diferente para as empresas pequenas e médias. A pesquisa informa que 70% das empresas que participaram têm valores em atraso a receber da administração pública por obras em execução.

“Para essas concessões e parcerias deslancharem, faltam as condições de financiamento serem readequadas para essa nova realidade do Brasil. O gabarito de análise de um financiamento no BNDES ou mesmo na Caixa ainda é muito preso a grandes projetos e grandes empresas”, diz Carlos Eduardo. Segundo ele, embora o mercado esteja mudando e a conjuntura econômica esteja impondo dificuldades ao empreendedor, os agentes financeiros seguem avaliando o balanço, a capacidade financeira, das empresas e a não a viabilidade dos projetos. “As empresas estão fazendo o seu dever de casa, mas é preciso que haja uma resposta do mercado em condições de financiamento”, cobra o presidente da COP.

O CBIC Sondagem INFRA também demonstra os segmentos de maior interesse dos empresários da construção civil nas modalidades de concessões e PPPs: rodovias, saneamento, iluminação pública, habitação e aeroportos. Energia e mineração também são lembrados. Os empresários reafirmaram sua expectativa pela aprovação das reformas: 45% destacaram a reforma da Previdência; 30% a reforma trabalhista, já sancionada pelo presidente da República; e 20% a reforma política.

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