Entidade estimula associações a dar suporte a empresas pequenas

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Cada vez mais sensibilizadas com a necessidade de investirem compliance, empresas de todos os setores deparam, no entanto, com este obstáculo temporário: a profunda crise econômica que se arrasta há três anos no Brasil.

As do setor de construção não são exceção. O número de empregados com carteira assinada, por exemplo, caiu de quase 3 milhões em 2015 para 2,2 milhões em fevereiro deste ano, de acordo com o dado oficial mais recente (veja o gráfico). Os números, que refletem a situação crítica da construção civil, poderiam inibir investimentos em áreas não essenciais ao negócio.

A CBIC se mostra ciente da situação. “Não adianta sermos irrealistas”, disse José Carlos Martins, presidente da entidade.

Além da conjuntura econômica adversa, há o fato de que a maioria das empresas é de pequeno porte. “Nem todas teriam condições de montar estruturas voltadas ao compliance”, afirmou.

É por isso que a CBIC tem orientado as associações e os sindicatos patronais afiliados a criar departamentos de compliance e a colocá-los à disposição das empresas, como incentivo para que cada companhia crie sua própria política de controle interno. Não são poucos os problemas identificados pela entidade.

O principal deles é a informalidade. Na construção civil, 57% dos empregados não contribuem com a Previdência, quadro que a CBIC trabalha para reverter. Para Martins, a informalidade é a porta de entrada para outros problemas potenciais, como descumprimento de normas trabalhistas, registro de acidentes e atrasos na entrega de obras.

Tudo isso se traduz em custos para as empresas. Por essa razão, Martins argumenta que a gestão ética, além de um fim em si, é também um meio de sobrevivência, na medida em que tende a aumentar a produtividade e, em decorrência disso, os ganhos.

Um guia elaborado pela entidade enumera alguns benefícios da ética empresarial: eliminação de gastos com subornos; identificação e neutralização de riscos; legitimidade moral para exigir comportamento ético de fornecedores e funcionários; construção de relacionamentos sólidos com parceiros comerciais; redução de gastos com multas e advogados.

O trabalho termina com uma orientação que procura combater a cultura de tentar obter vantagens indevidas. A CBIC defende que o comportamento ético com todos os agentes que têm relação com a empresa é “a única forma de seu lucro ser moralmente aceitável”.

Publicado na Folha de São Paulo, 13/04/2017 – Seminários Folha, página 07

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