Ainda cautelosos, empresários de obras públicas apostam em recuperação no médio prazo

Pesquisa realizada pela Apeop com executivos do setor mostra otimismo em relação ao futuro

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Uma pesquisa realizada pela Apeop com empresários de obras públicas mostra que eles estão otimistas em relação ao futuro do setor. Os executivos esperam uma recuperação dos negócios num prazo médio, de 12 meses, com repercussão favorável nos investimentos e empregos. No curto prazo, porém, para os próximos três meses, os empresários estão mais cautelosos e não preveem grandes mudanças no atual quadro de dificuldades.

A maioria dos empresários, 60,8%, acredita que as expectativas em relação à economia brasileira melhoraram para os próximos 12 meses, mas esse comportamento não é observado num prazo mais curto. Em relação aos negócios do setor, como receita, emprego e investimentos, o sentimento é o mesmo.

Abaixo, detalhamos cada um dos pontos abordados no levantamento da Apeop, realizado durante o mês de julho.

 

 

  1. Empresários estão mais otimistas com o futuro da economia brasileira

Para a maioria dos empresários de obras públicas de São Paulo, 60,8% da amostra, as expectativas com relação à economia brasileira melhoraram ou melhoraram muito para os próximos 12 meses (médio prazo), como pode ser visto no Quadro 1.

Entretanto, tal comportamento ainda não é observado para o curto prazo (próximos três meses), quando 52,2% dos empresários não viram suas expectativas se alteraram. E para apenas 26,1% as expectativas melhoraram. Nenhum dos executivos consultados afirmou que as expectativas melhoraram muito para o curto prazo.

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Apenas 13% dos empresários viram suas expectativas piorar para os próximos 12 meses e nenhum piorar muito. Quando o período de projeção é mais curto, para os próximos três meses, há um número maior de empresários pessimistas, ou seja, 21,7% viram suas expectativas piorar ou piorar muito em julho.

  1. Expectativas para o futuro do setor são um pouco menos otimistas

Da mesma forma que em relação ao futuro da economia do país, os empresários estão mais otimistas em relação ao setor de obras públicas no médio prazo (próximos 12 meses) do que com o curto prazo (próximos três meses).

Entretanto, nesse caso, dos empresários que responderam à pesquisa, 39,1% viram suas expectativas melhorar (ou muito) para os próximos 12 meses, como pode ser visto no Quadro 2. A maioria, porém, 47,8%, afirma que as expectativas permaneceram iguais ao mês anterior da pesquisa. Apenas 13% viu as expectativas piorar para o médio prazo do setor.

Para o curto prazo, as expectativas dos empresários para o setor são mais pessimistas. Para 30,4% as expectativas pioraram ou pioraram muito. Já para a grande maioria, 60,9%, as expectativas permaneceram constantes. Por outro lado, para apenas 8,7% dos entrevistados a expectativa melhorou.

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  1. Expectativas para a empresa seguem a percepção sobre o setor

As expectativas em relação ao futuro da empresa são bastante semelhantes ao do futuro do setor, como pode ser visto no Quadro 3. Os empresários estão mais confiantes quando olham para o médio prazo (próximos 12 meses), do que para o curto prazo (três meses). Mas, novamente, não é a maioria, mas sim 43,4% da amostra, que viu suas expectativas melhorar ou melhorar muito.

Para o curto prazo, 60,9% dos entrevistados não sinalizaram mudanças em suas expectativas. E apenas 17,4% veem uma melhora no curto prazo sobre a situação da empresa.

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  1. Empresários preveem que as receitas ficarão estáveis no curto prazo

Mantendo o padrão das respostas anteriores, a maioria dos empresários (56,5%), preveem que, no curto prazo, as receitas devem permanecer constantes. Enquanto isso, apenas 8,7% esperam algum crescimento, conforme pode ser visto no Quadro 4.

Novamente, para o médio prazo, as expectativas são mais otimistas, com 34,8% dos empresários esperando que as receitas aumentem nos próximos 12 meses. Mas, do mesmo jeito que para o curto prazo, 34,8% ainda esperam ver suas receitas caírem no período.

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  1. Grande maioria dos empresários demitiu nos últimos 12 meses

Dos empresários que responderam à pesquisa de sentimento de obras públicas, 69,6% deles informou que diminuiu o quadro de funcionários nos últimos 12 meses, como pode ser visto no Quadro 5.

Como todos sabem, a economia brasileira passou e ainda passa por elevado ajuste no mercado de trabalho desde o início de 2015. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, mais de 2 milhões de pessoas perderam o emprego com carteira de trabalho no período. E como podemos ver no Quadro

5, o setor que engloba as empresas de obras públicas do Estado de São Paulo não passou ileso por este processo.

Para os próximos 12 meses, 34,8% dos entrevistados admitiram que ainda devem continuar reduzindo o número de funcionários. Para os próximos três meses, o percentual é maior, 43,5%, indicando que o processo de ajuste de mão de obra ainda está em curso na economia brasileira.

De toda forma, a maioria dos empresários espera que o número de funcionários ficará estável ou aumentará nos próximos meses; 56,5% não esperam demitir nos próximos três meses, e 65,2% para os próximos 12 meses.

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  1. Empresários já vislumbram voltar a investir nos próximos meses

Depois de tempos difíceis, alguns empresários de obras públicas já vislumbram aumentar o nível de investimento para os próximos meses. Comparado aos últimos 12 meses, em que apenas 4,3% dos empresários afirmaram que os investimentos aumentaram no período, para os próximos 12 meses, o número sobe para 26,1%.

Entretanto, ainda é maior o número de empresários que irão reduzir os investimentos no futuro. Para os próximos três meses, 43,5% dos empresários afirmam que vão reduzir os investimentos, enquanto para os próximos 12 meses 34,8% têm essa expectativa.

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  1. Executivos relatam piora no mercado de crédito

Em relação ao mercado de crédito, 43,5% dos empresários afirmam que as condições de crédito na economia pioraram para sua empresa, tanto nos últimos três meses quanto para os últimos 12 meses. O número é igual ao daqueles que afirmaram que as condições de crédito não se alteraram.

De um lado, o ajuste fiscal compromete a capacidade dos bancos públicos de expandir seus empréstimos a taxas subsidiadas; e de outro, bancos privados estão mais seletivos em conceder empréstimos, que têm spreads mais elevados, em virtude do ambiente econômico mais adverso, com maior probabilidade de inadimplência.

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  1. Maioria dos empresários relata problemas de inadimplência do setor público

Por fim, o índice de sentimento do empresário de obras públicas procurou descobrir quantos empresários estão tendo problemas de inadimplência com o setor público. Como é sabido, a atual crise econômica piorou ainda mais as combalidas contas públicas e, diante da falta de recursos, fez os gestores públicos adiarem parte de seus pagamentos.

Dos empresários entrevistados, 73,9% afirmaram que estão tendo problemas de inadimplência.  Desses empresários, 41,2% afirmaram que a inadimplência é principalmente do Estado de São Paulo, 5,9% da prefeitura de São Paulo e 52,9% de outros entes., São citados o governo federal e diversas prefeituras.

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